Alergias de verão: o perigo por detrás do petisco
Alergias de verão: o perigo por detrás do petisco
As temperaturas sobem, os dias crescem e a estação quente convida ao petisco e ao convívio. A Dr.ª Joana Cosme explica quais são as principais alergias de verão e os perigos a que deve estar atento.
As alergias podem surgir em qualquer idade
Uma alergia é uma resposta exagerada do sistema imunitário a substâncias exteriores, designadas alergénios, às quais a maioria das pessoas não reage. Embora sejam comuns nas crianças, as alergias podem surgir pela primeira vez na adolescência, na idade adulta ou mesmo em faixas etárias mais avançadas.
Genética, ambiente e exposição
O desenvolvimento das reações alérgicas resulta de uma combinação de fatores, incluindo predisposição genética, idade e ambiente. A exposição a fumos, poluentes, fungos, microrganismos, antibióticos, alterações hormonais e stress pode influenciar o risco de alergia.
Petiscos, saladas, frutas e cocktails
No verão, mariscos, saladas, frutas frescas presentes em batidos, cocktails ou sobremesas podem constituir risco para pessoas alérgicas. A leitura dos rótulos e a confirmação dos ingredientes tornam-se essenciais.
Tropomiosina e reatividade cruzada
Pessoas alérgicas aos ácaros e sensibilizadas à tropomiosina podem desenvolver reações por reatividade cruzada aos mariscos. A confeção não degrada esta proteína, pelo que o camarão pode causar sintomas mesmo quando cozinhado.
Pêssego, LTP e anafilaxia
O pêssego é uma das principais causas de alergia alimentar em Portugal. A alergia está frequentemente associada à proteína LTP, presente na casca do pêssego e de outras rosáceas, podendo associar-se a reações graves.
Ingredientes escondidos
Muitos cocktails e bebidas de verão podem conter leite ou derivados, natas, iogurte, especiarias ou sumos de fruta. Estes ingredientes devem ser sempre confirmados antes do consumo.
Alergia em pessoas sensibilizadas a pólenes
O melão e a melancia pertencem à família Cucurbitaceae e podem causar sintomas em pessoas alérgicas a pólenes, como comichão ou formigueiro nos lábios, língua ou garganta, inchaço oral ou vermelhidão peri-labial.
Cuidados em restaurantes e bares
Para reduzir o risco, deve informar sempre empregados e cozinheiros sobre as alergias, evitar partilhar copos, talheres ou guardanapos e garantir que familiares e amigos conhecem os alergénios relevantes.
O que fazer em caso de alergia?
Cada pessoa alérgica deve ter um plano de atuação para emergência, definido com o seu médico. Este pode incluir anti-histamínicos, corticóides ou, em casos graves, dispositivo de administração de adrenalina.
- Evitar totalmente o alergénio conhecido.
- Ler rótulos e confirmar ingredientes.
- Informar restaurantes, bares, familiares e amigos.
- Conhecer as proteínas específicas associadas à sua alergia.
- Consultar o Médico de Imunoalergologia para orientação individualizada.
